Entrevista – Eduardo Dussek

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Humor e música. Essa é uma mistura que você acha que dá certo?
Esse meu novo show é uma mistura das minhas músicas mais engraçadas, linkadas por um texto praticamente de stand-up. O meu texto é non-sense, não é só música, é uma mistura de teatro, de música e de loucura. Eu diria que é mesmo mais inimista, uma apresentação para acabar com o estresse. Essa mistura de humor e música dá uma coisa quase de cabaré, como faço em minha casa (risos). Falo muita loucura.

Neste show você revisita sua própria obra. Como é que você enxerga sua carreira?
Depois de ter atirado para todos os lados por 30 anos, do samba ao rock, posso dizer que há uma unidade em tudo. Um estilo Dussek de canto. É divertido. Rita Lee, Lulu e Pixinguinha têm muito a ver comigo, foram eles que me influenciaram. Mas acho que a minha carreira é, na verdade, uma grande forçação de barra para que todo mundo cante junto.

Você foi definido muitas vezes definido como irreverente. O que esta palavra significa para você?
Eu sou um brincalhão, na verdade. Falo de coisas que as pessoas não costumam falar e uso muito humor para isso. Acho que sou muito sério, o mundo que é uma piada. Lendo o jornal ou você gargalha ou chora, eu só mostro isso nos meus textos. O brasileiro se acha o melhor do mundo, um complexo de grandiosidade que é pura comédia.

Você está preparando novidades?
Estou gravando um disco novo, o último álbum, o ‘Tal de Dussek’ tinha mais regravações, este vai ter só musicas novas, deve sair no meio do ano que vem. Estou planejando também um CD de covers de músicas românticas. E, claro, o carnaval está chegando! Vamos para as marchinhas como sempre!

Entrevista com Paulão e Cavalo, do Velhas Virgens

 
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Banda faria show em Brasília no evento Beer Experience, mas o festival foi adiado por tempo indeterminado. A entrevista foi feita dois dias antes do adiamento. As perguntas foram respondidas em conjunto por Cavalo, o guitarrista, e Paulão, o vocalista da banda.
 
Podemos dizer que vocês são uma banda de rock cômico? Podemos  dizer que somos boêmios, irônicos e bebuns e pra sobreviver com rock autoral neste país precisamos ter muito bom humor.   
 
Onde vocês encontram inspiração para as letras mais “poéticas” da banda?  
Na madrugada, na realidade que nos cerca, nas incoerências do ser humano (especialmente das mulheres) , mas principalmente nos bares, onde até o politicamente correto é motivo de piadas.   
 
Mesmo com 27 anos de estrada, vocês ainda se consideram ousados para os padrões da música brasileira? 
A gente continua falando a linguagem das ruas, das esquinas, dos puteiros e estádios de futebol . A gente não fala palavrão pra aparecer, tem contexto e por isso faz sentido. Não somos nem a pior e nem a melhor banda: somos só uma banda com personalidade. E muita sede. Por isso lançamos nossa própria cerveja (que já é uma linha com 3 sabores de Velhas Virgens Rockin’ Beer) com receita do nosso baixista Tuca Paiva, produzida em parceira com A cervejaria Invicta de Ribeirão PretoE estaríamos também na Beer Experience com stand, apresentando as cervejas e autografando as garrafas para quem quiser, como nas edições do evento em SP e RJ
 
 Tocar ao lado de Alceu Valença e Seu Jorge é se distanciar um pouco do estilo de vocês ou música é sempre música? 
Pode parece estranho, mas em termos de letras e composições nos aproximamos muito do samba de gente como Adoniran Barbosa, Moreira da Silva, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila. Alceu Valença e Seu Jorge também são referencias no nosso caldeirão embriagado. Gostaria de ter os dois participando de um disco nosso, um dia. Há um lugar onde todas estas influencias (sejam roqueiras, de blues, MPB ou o que for) são pertinentes e coerentes: o bar. Ali se ouve de tudo. Se fala de tudo. Inclusive de Alceu e Seu Jorge.   
 
 Vocês estão fazendo “vaquinha” no site para gravar um novo álbum. Quais as vantagens e desvantagens desse método?
 Estamos fazendo um financiamento coletivo junto com o Começaki (www.comecaki.com.br). Isso é uma parceria com nosso fã. Ele vai ter a oportunidade de participar do disco (um dos prêmios é o fã cantar o refrão de uma música que vai entrar no disco). Vai poder ter o CD antes de todo mundo, camiseta especial, calcinha (usada) da nossa vocalista, até cantar nosso maior sucesso que é “Abre essas pernas pra mim” no estúdio com a gente e fazer um clip exclusivo. São coisas muito bacanas. A grande vantagem é aproximar a produção do disco dos fãs, ampliar o contato com eles que são, em ultimo caso, as pessoas para quem a gente faz os discos. Não vejo desvantagens, todo mundo ganha. A gente faz um CD de melhor qualidade e o fã ganha prêmios exclusivos.

“Voltei com tudo” – Entrevista com Ney Matogrosso

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Ney Matogrosso passou pela cidade com sua nova turnê, Atento aos Sinais, no domingo, 03 de novembro.

 

Em Atento aos Sinais veremos uma seleção de grandes canções da MPB, mas músicas da sua carreira, até mesmo do tempo do Secos e Molhados, vão estar presentes?

Não, só toco uma música do Secos e Molhados no bis. Gosto da produção que tive ao longo da minha carreira, mas o que me interessa de fato é a novidade. Sempre busquei a inovação. Eu sempre tenho algo novo a dizer.

 

Mesmo tendo deixado as maquiagens e figurinos carregados para trás, você ainda considera seus espetáculos performáticos?

Mas este espetáculo é muito performático! Voltei com tudo para cima do morro (risos). O cenário, o figurino é tudo muito bem trabalhado. O figurino, inclusive, foi minha ideia. A primeira calça, com as escamas, fui eu quem desenhou ao lado do Milton Cunha, meu parceiro de longa data, que também me ajudou na concepção do cenário. Foi ela quem serviu de molde para todas as outras, mas elas são diferentes em cada apresentação. Não queria usar apenas uma roupa no palco, quero dar ao público um espetáculo único.

 

Após cerca de 30 discos gravados, dá para enumerar algumas músicas pelas quais você tem um apego maior?

Já abri e encerrei shows com várias músicas. ‘Mulher Barriguda’, ‘Fala’ e ‘América do Sul’ são as que eu mais destacaria. Mas nessa turnê não as quis colocar, não foi por não querer colocar, só por que as canções são velhas. Eu canto músicas do Caetano Veloso da década de 80. A canção ‘Roendo as Unhas’ do Paulinho da Viola foi gravada em 1973! Para uma música entrar no meu repertório ela tem que caber no que eu quero falar, se encaixar na minha proposta. O que é de fato fundamental para mim é a letra da música ser boa, a melodia, o ritmo, tudo me encanta, mas a letra tem que expressar tudo que eu tenho para dizer.

 

Mesmo após tanto tempo de trabalho, você ainda é considerado um dos artistas mais originais e versáteis da música brasileira. Como você se mantém sempre “novo”?

Não tem receita. Acho que isso é uma questão mental, de como você trabalha sua cabeça. Sei que não demostro minha idade, mas a conheço bem. Para não se deixar parar nós temos que estar sempre abertos ao mundo, me mantenho esperto, quase um trocadilho com o nome da turnê [‘Atento aos sinais’].

 

Com 40 anos de carreira, que visão você tem das novas bandas que estão surgindo? Que novos artistas agradam seus ouvidos?

Gosto de botar desconhecidos na roda, mas é cada vez mais difícil. Dos que chegaram a minha mão, existe muita gente muito boa. O problema é conseguir um espaço, tocar nas rádios. Da mesma forma que gravar um disco se torna cada vez mais fácil, ser ouvido tem se tornado cada vez mais difícil. Ainda assim, nesta turnê canto músicas do Criolo, do Dani Black. Mas tenho certeza que ainda há muito por conhecer.

 

Como você recebeu a notícia da morte de Lou Reed, do Velvet Underground? Ele influenciou seu trabalho?

Ah, é uma pena. Não posso dizer que o Velvet Underground influenciou o meu trabalho, mas gostava do trabalho e da pessoa dele. Quando ele lançou aquele disco que tem uma banana na capa [The Velvet Underground & Nico, 1967]  eu carregava o LP embaixo do braço para onde quer que fosse. É uma perda triste para a música.

 

E na questão das biografias não-autorizadas? Você se importaria que fizessem um livro contando sua vida?

Não, de forma alguma. Já até fizeram um uma vez, mas na verdade não gostei muito dele, era mal escrito. Mas não me oponho a fazerem os livros. Essa é uma história muito polêmica, quem antes defendia uma coisa já está mudando de lado de novo. Mas minha opnião é sempre a mesma com relação a isso: biografia não tem que ter autorização. Só o que defendo é que as pessoas tem que ser pagas pelos produtos que se derivarem destes livros, elas têm que ter direito de ganhar com a própria imagem. Para o livro não estou nem aí, mas os subprodutos, como filmes e séries de televisão, onde realmente corre o dinheiro, deveriam remunerar o artista que está sendo retratado.

 

PS: Tenho produzido muito, mas me falta tempo de publicar tudo aqui no blog, vou fazendo as atualizações aos poucos, espero que me perdoem 

Entrevista com Digão, dos Raimundos

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Digão [segundo da esquerda para a direita] atuou desde o início da formação da banda, no fim da década de 80, e desde 2002 deixou a guitarra um pouco de lado para assumir os vocais. Fez show na Calourada da UnB, em 1º de novembro.

 

Calourada Evento mistura sertanejo, pagode e rock. Você gosta dessa integração?

Cada um tem seu espaço. A música é bem democrática, tem uma galera grande que curte. Não digo que há uma interação, mas claro que vamos fazer com o mesmo gás. Não tenho nenhum tipo de preconceito musical.

 

A banda se formou em Brasília, tocar aqui ainda é especial?

É diferente por que eu saio da minha casa, mas não digo que é especial. O brasiliense não valoriza o que é daqui, isso é uma característica do local, infelizmente não há uma energia. Falta de identidade desde o fim dos anos 90.  A capital do rock lançava moda, agora não tem mais. Virou só mais uma cidade do circuito dos DJs internacionais. Os bares não tocam shows autorais mais, a música tá morrendo. Sobressai a politicagem de quem ganho o incentivo e não os bons. Isso desanima as bandas que são inovadoras. Falta espírito, não acredito no nascimento de um novo Legião Urbana.

 

A energia da banda ainda é a mesma desde a estreia?

Só vai melhorando com o tempo, é que nem vinho, a banda está cada vez mais forte. A gente gosta mesmo do que faz.

 

Estavam com medo da recepção do público?

Em 2009 retomamos as “antigas”, mas nunca paramos. Em 2006 trocamos a formação. A energia é muito boa ainda. A galera mais velha não vai mais a shows, a vida afasta as pessoas dos eventos. Mas há um público fiel, demos uma renovada no público, temos que buscar novas gerações. Mas há a galera de fé. O público que tá indo agora está amarradão. Abrange geral. Só sobrevive quem se renova.

 

E o projeto via Catarse, pretendem continuar com novos [no último mês a banda conseguiu financiar a gravação de um novo álbum financiado pelos fãs]?

Não temos incentivo de gravadoras e a ideia do Catarse deu muito certo. Só quem gosta colabora, e vimos que muita gente gosta, já que estouramos a cota. E é muito bom saber que eu sou dono de mim mesmo, livre para gravar o que quiser. Não queremos voltar a fazer algo preso pelas gravadoras. Os fãs nos ajudam e assim a gente segue. O CD que fizemos já está gravado, vamos lançar em dezembro. Não vamos lucrar com ele, hoje em dia CD se dá. Todo mundo baixa em casa, é só para quem é fã. Falta finalizar, mas vamos entregar na casa de quem colaborou, além de deixar disponivel para download gratuito. Essa é a tendencia, ninguém mais escuta CD, ele se tornou um enfeite de estante. Não podemos nos prender ao tempo. Já passou da época.

 

E, para terminar, quais são as músicas que não podem faltar nos shows?

Nós temos os nossos clássicos, tipo ‘Esporrei na Manivela’, ‘Quero é ver o Oco’ e ‘Tchara’, que já é da nova formação da banda. A gente sabe que o público que vai aos shows quer é ouvir isso mesmo, show de quem só sabe ficar tocando o novo CD é um negócio chato pra caralho.

 

PS: Tenho produzido muito, mas me falta tempo de publicar tudo aqui no blog, vou fazendo as atualizações aos poucos, espero que me perdoem 

Blog meio desatualizado

Agora, com a rotina cada vez mais pesada, está difícil atualizar aqui o blog.
Em breve devo voltar a publicar ao menos as matérias produzidas para o Metro
Obrigado 🙂

Turistas semiabandonados

Publicado originalmente no Metro Brasília de 8 de julho

Atendimento escondido. Visitantes não acham quiosques e acabam lutando por informações fora das estruturas concebidas para isso

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Os curitibanos Adilson Oliveira, 53, e a esposa, Aparecida Moura, 53, perdidos na Praça dos Três Poderes, olham para os lados em busca de uma direção. Mal sabem eles que a cerca de 50 metros do ponto em que estão existe um CAT (Centro de Atendimento ao Turista).

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Coletivo se encarrega de limpar sujeira pós-protesto

manifesto limpeza brasíliaOs protestos em Brasília  contam um grupo especial de voluntários. Sob o lema “A rua é a casa do povo”,  eles ajudam a limpar um pouco da sujeira gerada nos manifestos.

Desde o início da onda de protestos, o Coletivo da Rua acompanhar as manifestações com sacolas de lixo. Na quinta, na 2ª Marcha do Vinagre, que reuniu 60 mil pessoas na Esplanada, foram recolhidos cerca de 40 mil litros de lixo. Nem tudo, porém, eram cartazes e tubos de tinta. “Recolhemos muitas garrafas de bebida, aproximadamente 200 só de vodca”, afirma Julianna Motter, 21, uma das criadoras do projeto. Continuar lendo

Como o fogo acabou com os ideais em Brasília

Não vou usar imagens nessa postagem, até por não conseguir escolher uma. O que marcou os protestos em Brasília ontem? Manifestantes atirando rojões contra policiais? Policiais criando uma imensa nuvem de gás lacrimogênio? O jovem agitando a bandeira nacional sobre a escultura Meteoro, no Palácio do Itamaraty? Ou mesmo um outro grupo de jovens invadindo e incendiando este mesmo palácio?

Não há uma imagem-símbolo, nem mesmo um lado que esteja correto. Ontem decidi oficialmente deixar de me manifestar, ao menos por hora. O fogo no Itamaraty, nas bandeiras, nas tendas, as pedras voadoras, posso dizer que tudo isso matou meus ideiais. Não que eu ache que o país tenha mudado, no máximo aprendemos a nos indignar melhor. O problema é que nunca chegaremos a um fim, o manifesto perdeu foco e ganhou força pela anarquia. Temo os rumos que ele tome a partir de agora, tenho medo de que usem-nos para defender grupos que desconhecemos. Não quero viver em um país descontrolado, não quero viver em um país louco em que os cidadãos amedrontados se refugiam nas forças militares. Já vimos como isso pode acabar. Talvez fosse melhor não termos deixado o facebook.

Ciclistas resistem a despejo na 204 Sul

Publicado originalmente no Metro Brasília

Biciletaria Brasília

No início de maio, um coletivo voluntário de ciclistas, o Bicicletaria, ocupou um prédio abandonado e caindo aos pedaços entre as quadras 204 e 404 Sul e começou a limpá-lo e reformá-lo com um mutirão. Antes de ser fechado, o local abrigava uma delegacia.
O serviço ainda está em andamento, mas a ordem de despejo da Administração de Brasília já chegou e, por enquanto, será ignorada. Continuar lendo

Prepare a toalha xadrez, piquenique virou moda

piqueniqueNão se pode precisar exatamente quando os piqueniques surgiram, mas eles se tornaram populares na Europa do século XIX. Em Brasília, porém, os lanches ao ar livre se tornaram moda agora.

Nos dias de folga e finais de semana, os gramados dos parques ficam repletos de pessoas dividindo a mesma toalha. Famílias, amigos, casais ou mesmo desconhecidos tem feito dos lanches uma opção de lazer. Continuar lendo