Jovens chegam a gastar R$ 1,2 mil por ano em camisas alternativas

Conic, prédio no centro da cidade, concentra maior parte das lojas

Um negócio que começou com uma loja no Conic se espalha por Brasília. O comércio de camisetas alternativas não parecia um mercado lucrativo há dez anos, porém atualmente só no conjunto comercial são seis lojas especializadas apenas nesse produto. Mas o sucesso não é só medido pelo número de lojas, mas também pela satisfação do público. Não é difícil encontrar clientes que comprem mais de 30 camisetas por ano.

Gislene Souza, 28 anos, é sócia-proprietária de três lojas e aposta que a localização é um dos segredos do sucesso. “O Conic é o point desse setor”, afirma. O grupo de lojas de Gislene é o mais antigo da galeria, que reúne o Verdurão, a Negro Blue e a Sete Palmos.

A Negro Blue é, segundo Gislene, a única loja no país que aposta na cultura negra do samba, em plena capital federal. Essa originalidade tem despertado a atenção de cidades tradicionais do ritmo musical. “Temos clientes que vêm do Rio comprar”, diverte-se Gislene. “Um comprou uma camisa cor-de-rosa do Mussum para cada um dos membros da escola de samba Mangueira”, conta. Segundo ela não são poucas as ofertas para a abertura de franquias da marca, mas Gislene gosta de administrar sua marca diretamente, conhecendo os clientes pelo nome.

Paulo Barbosa, 22 anos, sócio-proprietário da Ktraca, também pensa em expandir a loja. “Agora que conseguimos fazer com que toda a linha de produção seja nossa, estamos pensando em lugares para instalar uma filial”,afirma. A Ktraca é famosa por ter um público adolescente, mas Paulo vê uma mudança. “O público agora está muito disperso”, diz. “Até algumas avós vêm à loja para comprar presentes para os netos.”

Flaviana Medeiros, 21 anos, faz parte do público tradicional da Ktraca. A jovem comprou uma camiseta do chá de cogumelo para dar de presente. “É um presente coringa, sempre a pessoa gosta”, diz. Ela prefere as estampas engraçadas. “Apesar da malha da loja ser ótima, não compro pela camiseta, sim pela estampa”, alega.

Essa é a mesma opinião de João Pinheiro, 34 anos. “Se eu gostar da cor, da estampa, compro na hora”, diz. Ele é um exemplo do que Paulo chama de público disperso, já comprou camisetas nas seis lojas do Conic. “Gostava mais do Verdurão, mas hoje em dia lá está muito ‘turista'”, brinca. João escolheu uma camisa em menos de cinco minutos e pagou os 40 reais sem reclamar.

A vendedora Carolina Ribeiro, 22 anos, admite que as camisetas são caras, mas diz que esse não é o pensamento dos clientes. “Temos um cliente que no dia do pagamento vem escolher 10 blusas”, diz. “Acaba completando um cartão fidelidade em uma compra só”. O cartão fidelidade é considerado por Gislene uma das razões do movimento. “Completar o cartão acaba virando o objetivo de muitos clientes”, afirma. “Tem gente que junta vários carimbos em cartões diferentes, só para somar dez compras e ganhar a camiseta brinde”, diz.

As vendas pelo site também são parte importante na geração de renda para os estabelecimentos. “Apesar da base de lucros ser da loja física, as vendas virtuais permitem que amigos meus de São Paulo, do Rio, possam usar os produtos que criamos aqui”, ressalta Paulo Barbosa. Para Gislene o endereço de internet também tem importância. “Como nossas estampas são exclusivas, elas costumam ficar conhecidas também em outros estados”, diz.

Na internet, porém, a concorrência é bem maior que entre as seis lojas do Conic. Na rede, sites de Brasília concorrem com endereços de todo o mundo. Narayanne Miranda, 20 anos, já comprou cinco camisetas com apenas um clique. “Às vezes pago um preço maior, mas tenho mais opções e não enfrento filas”, diz. Ela prefere os sites internacionais. “Demora até um mês para vir, mas quando o pacote chega é… mágico”, afirma.

O ponto no centro da cidade, no entanto tem suas vantagens. A cantora Leci Brandão, ao visitar o Conic, passou pela loja da Negro Blue a procura de camisas com o rosto dela e ficou com raiva ao constatar que elas não eram produzidas. Gislene ainda se diverte com a história: “Até hoje não fizemos a blusa para ela, mas são tantas na fila de produção…”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s