Conheça as principais obras do modernismo brasileiro, em um dia e sem sair de casa

Obras de Cândido Portinari, Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral estão a poucos metros umas das outras

A escultura "Anjos" de Alfredo Ceschiatti, por exemplo, é muito conhecida, porém poucos sabem seu autor

A escultura “Anjos” de Alfredo Ceschiatti, por exemplo, é muito conhecida, porém poucos sabem seu autor

Não é necessário andar muito, em toda entrequadra de Brasília há alguém comentando: “Não tem nada para fazer nessa cidade”. No entanto, o Distrito Federal é a Unidade da Federação com maior proporção de museus por habitante, são 60 no total, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A maioria destas instituições é administrada por órgãos federais, cerca de 57% do total, e estão reunidas no centro da cidade, em especial, na Esplanada.

O desconhecimento da população em relação a estes acervos de arte é tal que muitos ficam vazios a maior parte do tempo, sem um visitante sequer. É o caso do Acervo do Itamaraty, um dos maiores e mais importantes do país. “Temos de quadros de Debret a painéis de Athos Bulcão, e estamos buscando pintores mais jovens para renovar o nosso acervo”, diz o diplomata Lucas Nardy Leitão.

“Brasília tem um dos acervos mais interessantes do modernismo brasileiro, aqui, em uma tarde, podemos ver Tarsila do Amaral, Di Cavalcantti, Portinari, tudo a poucos passos um do outro”, comenta o professor de arte, Cláudio da Silva. “É uma pena que tão poucas pessoas tenham acesso a essas obras”, completa. As servidoras públicas Yane Pereira e Regina Almeida almoçam todos os dias no palácio do Itamaraty. Ao saber da existência de uma galeria de arte dentro do prédio, as duas demonstraram surpresa.

“Trabalho no Ministério da Cultura, lá deveria haver um Espaço Cultural, mas não há nada além da placa. Nunca pensei que aqui fosse diferente”, diz Yane. “Falta divulgação por parte dos órgãos públicos desse tipo de acervo”, opina Regina. Segundo os dados do Ibram, porém, no DF, 74% dos museus produzem materiais de divulgação, índice muito acima da média nacional e de outros estados tradicionalmente mais atrativos de turistas, como é o caso de São Paulo, em que apenas 59,5% dos museus o fazem.

Mesmo com o trabalho de divulgação desenvolvido pelos órgãos, faltam visitantes. Os procedimentos para visita também não são amigáveis. No Itamaraty, para conhecer quadros como o célebre ‘Grito do Ipiranga’, de Pedro Américo, com o auxílio de uma guia, há de se agendar uma data e horário. Também não há visitas aos domingos, para ver, entre outras, as tapeçarias orientais e os quadros de Cândido Portinari.

No Centro Cultural do Banco Central a situação se repete. O enorme acervo, que estrapola a arte nacional e contém peças até de Salvador Dalí, só está disponível para visitações no horário comercial. Isso impede que interessados como a bancária Rayssa Dalben, que trabalha há menos de 500 metros do acervo, possam fazer suas visitas. “Já me disseram que lá tem coisas incríveis, mas me falta tempo para poder adimirá-las”, diz.

Para quem tem tempo disponível, no entanto, a visita vale a pena. Além do pintor espanhol, o acervo conta com obras de Alfredo Volpi, Emiliano Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Millôr Fernandes, Ismael Nery e Marcelo Grassmann. “É sem dúvida um dos acervos de arte mais ricos do país”, comenta Cláudio.  Após visitar o Banco Central, o professor recomenda uma passadinha pelos principais pontos da Esplanada. “Principalmente os prédios próximos à Praça dos Três Poderes contam com acervos impressionantes, A Justiça, de Alfredo Ceschiatti é um convite a visitar as galerias do Supremo Tribunal Federal.  Na verdade, em qualquer prédio que você entrar ali, vai encontrar coisa muito boa”, comenta.

 

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