Como o fogo acabou com os ideais em Brasília

Não vou usar imagens nessa postagem, até por não conseguir escolher uma. O que marcou os protestos em Brasília ontem? Manifestantes atirando rojões contra policiais? Policiais criando uma imensa nuvem de gás lacrimogênio? O jovem agitando a bandeira nacional sobre a escultura Meteoro, no Palácio do Itamaraty? Ou mesmo um outro grupo de jovens invadindo e incendiando este mesmo palácio?

Não há uma imagem-símbolo, nem mesmo um lado que esteja correto. Ontem decidi oficialmente deixar de me manifestar, ao menos por hora. O fogo no Itamaraty, nas bandeiras, nas tendas, as pedras voadoras, posso dizer que tudo isso matou meus ideiais. Não que eu ache que o país tenha mudado, no máximo aprendemos a nos indignar melhor. O problema é que nunca chegaremos a um fim, o manifesto perdeu foco e ganhou força pela anarquia. Temo os rumos que ele tome a partir de agora, tenho medo de que usem-nos para defender grupos que desconhecemos. Não quero viver em um país descontrolado, não quero viver em um país louco em que os cidadãos amedrontados se refugiam nas forças militares. Já vimos como isso pode acabar. Talvez fosse melhor não termos deixado o facebook.

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Fotógrafo canadense cria projeto para promover o encontro de ‘clones’

Tamara Stomphorst   e Sandra Meines  - Holanda

Tamara Stomphorst e Sandra Meines – Holanda

É costumeiro que ao conhecermos novas pessoas elas nos digam: “você parece com alguém que eu conheço” ou “você é a cara do cantor fulano de tal”. Foi pensando nisso que o fotógrafo canadense François Brunelle decidiu reunir desconhecidos, sem grau de parentesco algum, que parecessem gêmeos. Continuar lendo

Henri Cartier-Bresson

Henri Cartier-Bresson é conhecido por seu indistinguível e irreverente estilo de fotografar. Adotando as angulações mais variadas o possível e abusando da disposição de elementos em suas composições, o fotógrafo deu nova perspectiva a cenários mundialmente conhecidos, como a Torre Eiffel, em Paris, mostrada na foto acima, tirada em 1958. O grande segredo das fotos de Cartier reside na espontaneidade, no modo como ele espera o momento perfeito para capturar a imagem, fazendo com que ela seja única. Nas palavras do próprio fotógrafo, “a fotografia é um reconhecimento simultâneo, numa fração de segundo, do significado do acontecimento, bem como da precisa organização das formas que dá ao acontecimento sua exata precisão”. Ele desprezava fotografias arranjadas e cenários artificiais, alegando que os fotógrafos devem registrar sua imagem de uma forma rápida. Seu conceito de fotografia baseava-se no que ele chamava de “o momento decisivo”, o instante que evoca o espírito fundamental de alguma situação, quando todos os elementos externos estão no lugar ideal, ou seja, para Cartier-Bresson o mundo devia merecer a foto e não criar-se a situação. Continuar lendo